terça-feira, 9 de outubro de 2012

Vende-se Tudo

Martha Medeiros
No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo oque ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.

Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentad os que alguém aparecesse.
Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi.
Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto.

Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.

No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros.

Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.

Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida... Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile.
Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que não tínhamos nem uma xícara em casa.

Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde. Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza.
... só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Teresa e Clara

Santa Teresa de Jesus foi grande devota de Clara de Assis, ouçamos o que ela nos diz no seu escrito, o Livro da Vida:


"No dia de Santa Clara (no ano de 1561) indo comungar, a Santa me apareceu, muito formosa. Disse-me que me esforçasse e desse continuidade ao que iniciara (ou seja a reforma da Ordem do Carmelo), pois teria a sua ajuda. Tomei por ela grande devoção e, em cumprimento de sua promessa, um mosteiro de monjas de sua Ordem ajuda a nos sustentar. Além disso a Santa elevou tanto os meus anseios que a pobreza que instituiu em seus mosteiros observa-se também neste".




Vida 33, 13.
 
Assim também como carrego uma devoção especial a essa mulher simples, terna e com um coração ligado em Deus!
 


 

Sigamos o amor!

Percebi hoje que amar é o ato mais sublime de toda a nossa vida!
É o amor que rege os nossos pensamentos e modela os nossos sentimentos.
Viver é o ato mais amoroso que recebemos de Deus.
Não há reversão para viver esse amor.
Cada dia Deus nos dá um beijo de bom dia, em cada amanhecer e devemos agradecer
por tão grande prova de amor!
Vamos escutar a voz do amor, Ele o Bem Amado está a buscar ainda mais esses corações apaixonados pela sua caminhada.